
Epístola: Gálatas 2:16-20
Evangelho: São Marcos 8:34, 9;1
A CRUZ SINAL DE VITÓRIA
No dia 14 de setembro as igrejas do oriente e do ocidente celebraram a
exaltação da Santa Cruz, celebração que começou ser feita desde o dia 13 de
setembro do ano 325 da era cristã, momento em que se consagraram duas basílicas
em Jerusalém, uma na golgota, onde Jesus foi crucificado e outra no Santo
Sepulcro. No dia 14 de setembro do mesmo ano, foram apresentadas pela primeira
vez ao povo de Deus as relíquias da Santa Cruz, que segundo nossa tradição foi
encontrada por Santa Helena, a mãe do Imperador Constantino.
Estas Santas
Relíquias foram veneradas com muita devoção e respeito por todos os cristãos,
já que as mesmas foram desde o início um elemento e um meio de salvação. Nós
temos que pensar sempre que quando contemplamos a cruz do Senhor, nossos olhos
não ficam no próprio madeiro, mas em uma mensagem de libertação, de vitória
sobre a própria morte, e como um símbolo de transformação de algo que era um
símbolo de humilhação, de fraqueza, passaria a ser uma mensagem de esperança e
fortaleza. Era inaceitável para a mente humana naquela época que Deus ficasse
na cruz, por isso que é chamada a loucura de Deus por nós, pois o Deus todo
poderoso aceita esta morte na cruz para nossa salvação.
A cruz nos
lembra, também, que a maldade chegou ao seu limite, à morte, e que a vida e
amor vencem, pois Jesus venceu essa maldição com sua própria morte na cruz. Não
devemos esquecer jamais os ensinamentos de São Paulo, que nos ensina que na
fraqueza está nossa fortaleza; “Quando sou fraco, então é que sou forte”. (II
cor. 12:10)
Não existe
nada na vida sem esforço, sem sacrifício, sem dor, sem sofrimento, sempre
lembramos que uma mãe quando dá a luz a um bebe sofre, mas depois a alegria é
tão grande que o sofrimento passa ser uma anedota.
Por isso nós cristãos constantemente
pregamos ao Cristo Crucificado e Ressuscitado.
O sinal da cruz para nós é justamente
isto, um sinal de vitória, um sinal onde por nossa liberdade tomamos a decisão
de tomar a cruz do Senhor e seguí-lo, isto significa renunciar a nosso eu para
que Ele haja em nós, pois nosso objetivo final é que como disse o Apóstolo São
Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim”.
Cada vez que um cristão ortodoxo se
aproxima para tomar a eucaristia vai com as mãos sobre o peito em forma de
cruz, simbolizando que deseja seguir o calvário do Senhor para que Ele por meio
de sua presença viva na Eucaristia ressuscite em nós e comecemos assim uma nova
vida em Jesus. Que a cruz de Cristo ilumine nossa vida para juntos possamos
desfrutar da ressurreição do Senhor.
- Homilia de Padre Rafael Magul,
pároco da Igreja Ortodoxa São Nicolau, Goiânia (GO)