sábado, 9 de agosto de 2014

Homilia para o 9º Domingo após Pentecostes


Epístola: I Coríntios 3:9-17
Evangelho: São Mateus 14:22-34

“Não seremos perfeitamente livres até que todos não o sejam” (Santo Agostinho)

Há os que pensam que para chegarem ao tão desejado bem que é a liberdade tudo vale, espionagem, invasão aos direito humanos, invasão a intimidade das pessoas e até intervenção política ou militar em outros países, quando na prática estão escondidos numa famosa frase do tão criticado Hitler, ao que eu pessoalmente também critico que diz “...não haverá paz nos homens até que o último não mate o penúltimo”.

Terrível que ainda países que promovem os direitos humanos pratiquem esta metodologia escondida no que aconteceu naquele dia 11 de setembro, será que estão usando o 11 de setembro para dominar as decisões e o rumo do mundo? Será que esqueceram que aquele dono da liberdade e arquiteto do universo é Deus, e que pagou muito caro sua liberdade, primeiro suportar ver os seus filhos caírem no pecado e logo dar o seu filho unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, para regatar-nos da escravidão, do pecado e do poder mundano. E isto aconteceu para que não sejamos mais escravos do homem e nem do pecado.

Enquanto estamos apegados aos poderes mundanos, sem cuidar da integridade moral e dos valores das pessoas, estamos matando o penúltimo para ficarmos nós, e a pergunta é: esta é a democracia que se está promovendo, onde tudo vale?
Cristo com sua morte na cruz nos ensinou que nem tudo vale, que temos que defender nossos ideais sem medir consequências, e que o verdadeiro ser livre é aquele que está disposto a dar sua própria vida por um ideal.

Infelizmente hoje se está fazendo tudo ao contrário: se invade a liberdade e a intimidade da gente, uma pessoa é parada nove horas em um aeroporto sem ter causa justificável para isso. A pré-suposição da mesma entre aspas é preservar-nos e proteger-nos do terrorismo!

Se analisarmos como começou há três anos a história dos países árabes, que a chamaram de “Primavera Árabe”, o motivo entre aspas também, era teoricamente liberar os povos oprimidos. Mas o que conseguiram na realidade foi destruir os laços históricos de diálogo que se vem desenvolvendo entre estes povos. Pois nós sabemos bem, como disse o Papa Francisco, não haverá paz nos homens sem diálogo.

Hoje vemos como Yemen, Iraque, Líbia, Síria e neste momento também Egito, estão sofrendo as consequências de uma falsa primavera. A pergunta é: qual é o outro país que querem liberar? Se tivermos a resposta saberemos qual destruirão.

Por isso Santo Agostinho dizia que ele não se sentiria perfeitamente livre até que todos não o sejam.

Há países que matam com a desculpa de defender a democracia, são na prática escravos do poder, e nós como cristãos sentimos a dor deles e dizemos: que o poder verdadeiro não está fora do homem, está em nosso interior, em nosso coração, que para sermos livres na verdade, temos que nos liberar de nosso ego, das vaidades, da avareza, da mentira, da hipocrisia, das nossas paixões e da corrupção que está matando aos poucos o ser humano.

Eu serei livre, quando não ver mais nenhum pobre na rua sem rumo, quando puder ver aplicar a lei com justiça, quando não ver mais exclusão social, quando deixar de ver tanta corrupção nos distintos poderes humanos. Serei livre quando também puder ver uma sociedade mais justa e solidária.

Para ter esta virtude e conceito de liberdade, vale uma só coisa: compreender que a liberdade, como disse Santo Agostinho, é nosso bem maior, que não se impõe, a liberdade se constrói dia a dia, aceitando as pessoas com são. Se agirmos de outra maneira estaríamos fazendo muitos outros 11 de setembro, constantemente camuflados com o nome de “DEMOCRACIA”.

Sermos livres hoje é possível, mas nem tudo vale...

- Homilia de Padre Rafael Magul, 
pároco da Igreja Ortodoxa São Nicolau, Goiânia (GO).

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Quatro razões pelo qual o cristianismo primitivo se expandiu tão rápido


O rápido crescimento do cristianismo em seus primeiros séculos é ainda fonte de fascinação. Rodney Stark, um sociologista da religião que escreveu muito sobre este assunto, pontua: “Como um pequeno e obscuro movimento messiânico surgido na orla do Império Romano expeliu o paganismo antigo e se tornou a fé majoritária da civilização mundial?”.

Ao desenvolver uma resposta a sua própria pergunta, Stark combina pesquisa histórica com insights advindos de estudos social-científicos sobre movimentos religiosos e conversões. Entre tantos pontos que estudou, ele explana quatro razões essenciais para o crescimento do Cristianismo.

1. Redes Sociais

Sempre e sempre, pesquisas mostram que conversões religiosas geralmente ocorrem “através de redes sociais, através de uma estrutura direta e íntima de relações interpessoais”. Amizades diárias e contato pessoal entre os fieis comuns são razões que fazem a grande diferença, hoje e no passado.

2. Cuidar dos enfermos, viúvas e órfãos

Pragas, incêndios, desastres naturais, tumultos e guerra eram fenômenos recorrentes nas cidades onde os primeiros cristãos chamavam de lar. O que distinguia os cristãos nesse contexto era a resposta deles a estas calamidades. Ao invés de fugir para o campo e escapar dos problemas, eles ficavam e cuidavam de seus irmãos, como também dos não-cristãos.

Mesmo sem muito conhecimento de medicina, o simples ato de prover comida, água e abrigo as pessoas doentes aperfeiçoou amplamente o percentual de sobrevivência em tempos de epidemias generalizadas. Isso enviou aos pagãos uma mensagem poderosa de solidariedade ao oferecê-los uma mão amiga.

O resultado, com o tempo, transformou as relações sociais e a proximidade das pessoas com essa comunidade de fé tão dedicada ao serviço do próximo.

3. Posicionar-se contra adultério, aborto e infanticídio

Os antigo mundo romano não era tão querido para com mulheres e crianças. Homens casados poderiam dormir com outras mulheres livremente (especialmente prostitutas e escravas), e os frutos não desejados destas relações eram simplesmente abortados ou deixados para morrer.

Cristãos manifestavam-se contra estas práticas, exortando aos seguidores do Cristo que se mantivessem fieis ao matrimônio (mesmo os homens), como também cuidar dos mais vulneráveis da sociedade: os bebês. Muitos cristãos resgatavam estes bebês abandonados e os criavam como seus.

Essas crenças somadas à prática piedosa proporcionaram aumento de natalidade e adoção, e claro, dentro das famílias cristãs, que se tornavam maiores que as famílias não-cristãs.

4. Teologia do Amor

As ações descritas – cuidar do próximo, aliviar os enfermos, salvar bebês – refletia antes de tudo princípios teológicos do cristianismo. O mais importante de todos é a mensagem de que Deus ama o mundo que criou e pede aos que O ama para também amar seus próximos.

Em nosso contexto “pós-cristão”, tal ideia parece ser evidente ou clichê. Mesmo assim, um amor incondicional no qual você dedica sua vida ainda é uma ideia radical. E isto sim é tão pouco levado a sério hoje em dia, fica apenas na teoria porque se tornou para muitos apenas um “código moral” e não uma vivência espiritual.

Na ascensão do Cristianismo, Stark faz matemática, e mostra que este movimento que tinha apenas mil seguidores no fim dos anos 40. D.C cresceu facilmente para 35 milhões no quarto século. Se os cristãos vivessem segundo os costumes de sua época, jamais teriam aumentado seu número ou sequer expandido.

Implicações

Que faremos com todas estas informações? Primeiro de tudo, devemos abandonar a crença pietista de que a fé cristã cresceu por conta de milagres extraordinários. Obviamente a providência divina é sempre o fator mais essencial. Porém, olhar com atenção os fatores dos primitivos pode revelar que havia muito mais em jogo.

Ignorar que outros fatores contribuíram para o crescimento do cristianismo não ajuda muito: se os cristãos modernos acham que a Igreja primitiva cresceu de forma miraculosa, há muito pouco a aprender e nada a fazer. Tem oração, mas não tem ação.

A pesquisa de Stark mostra uma poderosa lição: o testemunho regular e cotidiano dos cristãos em amar o próximo, cuidar dos pobres, órfãos e enfermos em seu próprio contexto e comunidade é o que contribuiu para a expansão da fé.

Se nós, contemporâneos cristãos, queremos resultados semelhantes, devemos agir da mesma maneira e com a mesma compaixão intensa. Devemos ser fieis a Deus que se revelou pelo Verbo, o Cristo, e mostra que é necessário mais do que ir a Igreja, é necessário SER Igreja: esta mesma comunidade que adotou crianças, são filhos adotivos de Deus e precisam transmitir o amor recebido.


Tradução do artigo "Four Reasons Why Early Christianity Grew So Quickly", de Seraphim Danckaert.
Fonte: http://myocn.net/four-reasons-why-early-christian-church-grew-so-quickly/

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Por que pessoas ao redor do mundo estão usando este símbolo?

Arte de Rogermario Costa Uzai

Na última semana, o grupo terrorista ISIS (Estado Islâmico no Iraque e Síria) impôs aos cristãos de Mossul ou a conversão, ou propina, ou morte para quem desejasse permanecer na cidade. 

Para "facilitar" este trabalho sujo, picharam nas casas cristãs o símbolo mostrado acima, que é a letra "N" em árabe. É o símbolo utilizado para designar os NASRANI, ou Nazarenos, um "apelido" para os cristãos.

Como forma de protesto mundial  para que esta notícia não ficasse ofuscada pela mídia internacional, pessoas do mundo inteiro estão trocando a foto de seus perfis no facebook e fazendo manifestações pelas ruas utilizando este símbolo. 

Manifestação em Paris

Tal forma de humilhação é muito semelhante ao que fizeram com judeus alemães durante o regime nazista, obrigando-os a utilizar um pedaço de tecido com a Estrela de David com a inscrição "JUDE" (judeu).



Talvez mudar a foto dos perfis não mude a situação dos cristãos iraquianos e sírios, mas ao menos informa ao mundo e mantém em alerta até que se resolva. 

Enquanto isto não acontece, deve-se lembrar que todos os cristãos são nazarenos, Nasrani. A dor de nossos irmãos no Iraque é também nossa dor, por isto, convido ao leitor que também nos ajude com esta causa.

"Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." (Mateus 5:11-12)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Igreja Ortodoxa deve ser construída no Memorial do 11 de Setembro nos EUA

projeto da nova igreja

Uma sofisticada e bela Igreja Ortodoxa deve ser construída na parte sul do Memorial & Museu Nacional do 11 de Setembro, onde ocorreu o atentado as torres gêmeas em 2001.

A iniciativa parte da comunidade grega, que quer reconstruir uma antiga e pequena Igreja Ortodoxa Grega que foi destruída durante o atentado e que existia no espaço antes mesmo da construção das torres. Assim como o antigo templo, o novo também será dedicado a São Nicolau.

antiga igreja, destruída durante o atentado

O arquiteto espanhol, Santiago Calatrava, que projetou o templo, disse que buscou inspiração em outras grandes obras arquitetônicas da Igreja Ortodoxa: Hagia Sophia e a Igreja do Salvador em Chora. Ambas de Istambul, antiga Constantinopla.

O projeto deve começar em 2016.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Introdução ao Cristianismo Ortodoxo para Brasileiros


Por conta dos ventos da história, o Cristianismo Ortodoxo (ou Ortodoxia) não é familiar à maioria dos brasileiros, apesar de que a comunidade dos cristãos ortodoxos exista há quase 2000 anos.

A presença no Brasil existe há mais de um século, através de imigrantes árabes, ucranianos, russos e gregos, que trouxeram na bagagem sua preciosa fé e aqui estabeleceram templos e igrejas.

Mas o que significa Cristianismo Ortodoxo? É a vida espiritual da Igreja Ortodoxa, inseparável desta mesma comunidade, ou seja, seu modo de viver, crer, rezar, agir, sentir.  Ortodoxia vem do grego “ορθός” (correcto) e “δόξα” (louvor, crença, glória). Ortodoxia é a forma de “glorificar corretamente”.

A Igreja Ortodoxa é aquela mesma comunidade dos primeiros cristãos, que tiveram um contato direto e pessoal com os Apóstolos e o próprio Cristo. Os ensinamentos e vida de Jesus Cristo foram transmitidos até os nossos dias pelos sucessores destes apóstolos. Nos tempos primitivos do cristianismo, por várias vezes falsos ensinamentos dividiram os fieis. Em busca de garantir a pureza do que foi confiado por Jesus, surgiu o termo Igreja Ortodoxa.

O objetivo essencial da fé cristã ortodoxa é a salvação (Terapia) e divinização (Theosis) de todo ser humano, através da experiência e participação na vida da Igreja, seus mistérios e ensinamentos, e consequentemente, na vida de Jesus Cristo. Ele morreu na cruz, mas também ressuscitou dos mortos. Esta ressurreição é o cerne de toda a fé ortodoxa: a vida que triunfa sobre a morte e a alegria de poder participar desta vida.

A Igreja Ortodoxa entende que a raiz de todos os problemas humanos e sociais está num coração corrompido pelas paixões e orgulho. Um homem que não consegue lutar contra si mesmo jamais poderá experimentar verdadeira vida, ele apenas existe como fruto de seus impulsos e não como uma personalidade única e virtuosa. Ser, para além de existir, é uma das consequências de uma vida cristã ortodoxa intensa.

Historicamente, a Igreja Ortodoxa é a mais antiga de todas as igrejas cristãs: católicas ou protestantes/evangélicas. De forma mais exata, todas as comunidades cristãs existentes na atualidade podem traçar suas origens de alguma forma na Igreja Ortodoxa. O Novo Testamento, escrito todo em grego, cita cidades e comunidades cristãs que existem até hoje, e são ortodoxas. Foi a Igreja Ortodoxa quem possibilitou ao mundo o cânon da Bíblia.

Atualmente, o Cristianismo Ortodoxo é fé primordial em países do Leste Europeu e Oriente Médio, além de ter grandes comunidades pela América do Norte, Europa Ocidental, África, Ásia e Austrália. Há até mesmo uma igreja na Antártida, como também comunidades no Brasil.

Aos brasileiros que de alguma forma gostariam de conhecer melhor e se aproximar deste mundo que soa tão familiar e desconhecido ao mesmo tempo, fica o convite do Evangelho: "Vem e vê!" (João 1:46).

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Carta da primeira Missionária Ortodoxa de Taiwan, Pelagia Yu, para o povo grego


Eu sou chinesa, nascida em Taiwan e meu nome de batismo é Pelagia. Eu era uma cristã protestante, e levaram cinco anos para me tornar ortodoxa. Gosto de ler a Bíblia Sagrada e ter todas as suas publicações em língua chinesa.


Eu visitei a Grécia e descobri que é um país verdadeiramente único. Ao viajar em seu país, mesmo antes de eu chegar, no avião, vi quão diferentes em temperamento o povo grego é, como alegremente conversavam uns com os outros, como eles riam e como eles aplaudiram o piloto após o pouso, algo inédito para nós asiáticos, que são mais conservadores e não exibem facilmente emoção. Eu aprendi depois desta experiência que a expressão da liberdade exige paixão e vivacidade.


Na Grécia, visitei muitas igrejas, participei na Divina Liturgia, e quando recebi a Sagrada Comunhão, reduzi-me às lágrimas, embora eu não entendia a língua grega, porque a fé ortodoxa é a mesma, não importa o idioma.


Eu teria gostado de ter nascido grega, ter nascido Ortodoxa, ter recebido a Sagrada Comunhão e venerado santos ícones, dos meus anos de infância até a minha morte.

Eu choro por mim e meus compatriotas, porque em vez da Sagrada Comunhão, bebemos e comemos alimentos sacrificados aos ídolos.

Eu teria gostado de ter nascido grega, para que meus ouvidos pudessem ter sido preenchidos com hinos sagrados.

Eu choro por mim e meus compatriotas, cujos ouvidos estão cheios com o barulho de sutras e os gritos de quem adora aos ídolos.


Eu teria gostado de ter nascido grega, para que eu pudesse sentir o aroma doce do incenso.


Eu choro por mim e meus compatriotas, que são constantemente agredidos pelo cheiro forte da fumaça elevando-se dos sacrifícios oferecidos aos ídolos.

Eu teria gostado de ter nascido grega, de modo que minhas mãos pudessem ter tocado os ícones sagrados, as relíquias sagradas dos Santos e ter sido preenchidos com o amor de Cristo.


Eu choro por mim e meus compatriotas, cujas mãos tocam os ídolos e as coisas sacrificadas a eles, mas que na realidade estão se apegando a nada.

Eu teria gostado de ter nascido grega, para que eu pudesse acender velas para Cristo - não como aqui, onde nós queimamos dinheiro como oferenda aos espíritos.

Eu estava procurando a Verdade, usando mais de 30 diferentes publicações da Bíblia Sagrada, que, infelizmente, estavam todos cheios de erros (traduzido por não-ortodoxos).

Eu teria gostado de ter nascido grega, para que eu pudesse ler a Bíblia em sua forma original!


Eu choro por mim e meus compatriotas, porque, apesar de ter os olhos, estamos cegos.


Eu teria gostado de ter nascido grega, para que eu pudesse ser capaz de ver a graça de Deus ao meu redor.


Eu choro por mim e meus compatriotas, que estão cercados por templos dedicados aos deuses falsos.


Sim, eu sou ortodoxa, mas vivo em Taiwan, eu tenho oportunidades muito limitadas para experimentar o modo de vida cristão ortodoxo.


Eu choro por mim, porque eu não tenho a capacidade de mostrar aos meus compatriotas a grandeza de nossa fé. As pessoas aqui querem ver sinais e milagres.

Eu choro por mim e meus compatriotas, porque não temos o dom de ouvir e ver tantos milagres, tantas santas palavras que vocês já viram e ouviram há mais de 2000 anos, na Grécia, e que vocês ainda veem. 


Taiwan não é um país ortodoxo, nossos dias de festa e dias santos não se parecem com todos os seus.


Estou desapontado porque, na Grécia, embora vocês tenham tantas belas montanhas, vocês não cuidam delas, vocês as queimam. No entanto, eu estou espantada por que praticamente todas as montanhas na Grécia tem pelo menos um mosteiro. Temos montanhas repletas de templos budistas e mosteiros.
Eu teria gostado de ter nascido grega, para que eu pudesse ir e orar em um mosteiro ortodoxo facilmente.
Eu choro por mim e meus compatriotas. 


Pela primeira vez, visitei um mosteiro ortodoxo dedicada a São João, o Precursor, em Pelion. Eu viajei para a Grécia de Taiwan - 16 horas no avião - algumas horas no trem para Larisa e outra hora com o carro do mosteiro, que foi conduzido por uma das freiras.


Eu vi as ruínas dos mosteiros, vi tantos outros lugares na Grécia, que foram abandonados e meu coração sangrou. Em Taiwan, não temos uma riqueza de artefatos arqueológicos, santos e lugares bonitos, mas você não os apreciam.


Eu choro porque não temos belos ícones. Eu choro porque eu sinto que Cristo está fraco e nu aqui.


Gregos, vocês pensam que são pobres, devido à crise econômica que vocês estão passando, mas vocês não sabem quão verdadeiramente ricos vocês são.


Taiwan é um país com uma enorme quantidade de progresso material e desenvolvimento, e ainda permanece na escuridão de Satanás, e nossa vida espiritual está vazia.


Na Grécia, eu vi um monte de gente, especialmente aos domingos, bebendo e comemorando e não indo à igreja. Mas aqui em Taiwan nossos concidadãos, principalmente jovens, mesmo que quisessem, é impossível ir à igreja, porque a única igreja ortodoxa em todo o país é uma pequena sala no 4 º andar de um prédio enorme na arredores de Taipei. Muitas vezes, as pessoas não podem se encaixar dentro da igreja e ficam de fora por toda a duração dos serviços.


Meus irmãos e irmãs na Grécia, mesmo que eu esteja espiritualmente deficiente, eu ainda tenho minhas pernas ativas, de modo que eu possa me ajoelhar diante de vocês e implorar.


Eu rezo para que vocês me considerem como o pobre Lázaro, de modo que vocês possam lançar-me algumas migalhas dos tesouros espirituais que vocês tem, dos dons que vocês dão a suas igrejas, das igrejinhas pequenas que vocês constroem em todos os cantos de sua terra natal.


Nosso rebanho ortodoxo em Taiwan, como vocês sabem, é pequeno - menos de 100 pessoas. Nós não somos ricos. Nós não temos meios para comprar um lugar decente na cidade que seja capaz de satisfazer as nossas necessidades de catecismo, adoração e ensino. 

Fr. Ionas realiza aulas em uma base regular, voltado principalmente para os jovens de nossa cidade e, claro, aberto a quem quiser vir conhecer-nos em pessoa, aquelas pessoas que até agora só tenham tido a oportunidade de ver a Igreja Ortodoxa em Taiwan através da Internet.


Nós não pedimos para ajuda para construir uma igreja ortodoxa aqui. Custaria milhões. Por favor, ajude-nos a comprar um lugar maior no centro da cidade, que irá converter-se em uma igreja, para o bem de nossa nação, nossos irmãos e irmãs, que nunca tiveram a oportunidade de ouvir falar sobre e conhecer nosso Cristo. 

Nós somos um país de 23 milhões de pessoas! E ainda temos necessidade de sua ajuda.


Meus irmãos e irmãs em Cristo, se houver necessidade, eu vou fazer o que estiver em meu poder para retribuir um pouco do seu amor. Vou fazer o que for necessário com todo meu coração por toda a minha vida.

Eu agradeço. Perdoem-me.

- Pelagia Yu

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Fonte: http://www.johnsanidopoulos.com/2011/05/taiwanese-orthodox-missionarys-letter.html
Tradução: Hosana Machado

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Agni Parthene em Português (Ó Virgem Pura)



Agni Parthene em Português (Ó Virgem Pura)   
Letra: São Nectários de Aegina 
Tradução: Fábio Lins
Adaptação e Voz: Márcio Albino 
Edição do Vídeo: Rogermario Uzai

Sobre o Agni Parthene 

Agni Parthene (Αγνή Παρθένε) é um hino não litúrgico composto por São Nektários de Egina, bispo ortodoxo, para o Theotokarion (Livro de Hinos da Theotokos). Se conta que, após sua morte, ninguém sabia mais a melodia. Então, anjos teriam descido do céu cantando o "Agni Parthene". 

Foi traduzido para diversos idiomas e se tornou uma verdadeira poesia em honra à Virgem Maria, unindo cristãos ortodoxos do mundo inteiro. Tornou-se costume canta-lo durante a distribuição da Eucaristia.  

Agora, o temos em português. Não há direitos autorais quanto a reprodução e a equipe que auxiliou na produção, tradução e adaptação deseja que se torne popular nas igrejas ortodoxas que utilizam o português como língua de louvor a Deus. 

Em Cristo,  Márcio Albino (Marcos)

+ + +

1  

Ó Virgem Pura, Rainha 
Imaculada, Theotokos 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Mãe Virgem e Rainha 
Mant'Orvalhado cobre-nos 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Ó Altíssima, mais que os céus 
Ó Luminosa, mais que o sol 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Deleite dos santos virginais 
Maior que os celestiais 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Ó luz dos céus mais brilhante 
Pura e radiante 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Mais santa e angelical 
Ó santo altar celestial 
Virgem Mãe, Alegra-te!

2  

Maria Sempre Virgem 
Senhora da Criação 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Ó Imaculada Esposa Virgem 
Ó Pura Senhora 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Maria, Esposa, Rainha 
Fonte da Alegria 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Venerável Virgem, Donzela 
Mãe Santa e Rainha 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Mais venerável que'os Querubins 
Mais gloriosa que'os Serafins 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

És mais alta em plena glória 
Que as hostes incorpóreas 
Virgem Mãe, Alegra-te!

3  

Ó, hino dos arcanjos 
Ó, musa dos anjos 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Ó, canto dos Querubins 
Ó, canto dos Serafins 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Ó paz e alegria 
Ó porto da salvação 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Morada do Verbo do Pai 
Fragrância da Incorrupção 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Ó Deleite do Paraíso 
Ó Vida Imortal 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Ó Árvore da Vida 
Raiz da Imortalidade 
Virgem Mãe, Alegra-te!

4  

Imploro-te, ó Rainha 
Eu te suplico 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Peço-te ó Rainha 
Imploro a tua benção 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Ó venerável Virgem 
Pura, Nossa Senhora 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Com fervor eu te suplico 
Ó Templo Sagrado 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Percebe-me, Ajuda-me 
Livra-me do Mal 
Virgem Mãe, Alegra-te!  

Intercede por mim 
Que eu tenha a Vida Eterna 
Virgem Mãe, Alegra-te!

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